A IA não transformou desenvolvimento de software em delivery de pizza.
Eu sei que a narrativa que chegou até você foi outra. Produtividade 10x. MVP no fim de semana. Feature em minutos. Demo brilhante no Twitter de alguém que nunca colocou aquilo em produção.
Mas deixa eu te contar o que acontece do lado de cá.
A IA acelera a geração do código. Não acelera entender o problema direito. Não acelera decidir arquitetura. Não acelera integrar com o sistema legado que você tem há 7 anos. Não acelera revisar o que foi gerado. Não acelera testar edge case. Não acelera deploy seguro. Não acelera observabilidade.
E adivinha onde mora 80% do trabalho? Exatamente aí.
Quando você pega um prazo que antes era 2 semanas e corta pra 2 dias porque “agora tem IA”, você não tá ganhando velocidade. Tá comprando dívida técnica a juros altos.
O time entrega rápido. Entrega frágil. Três sprints depois todo mundo apagando incêndio em produção. E aí a culpa vira do dev, não da expectativa mal calibrada lá atrás.
Tem outra coisa que quase ninguém te contou: a IA funciona melhor em coisas genéricas. CRUD padrão, UI comum, script isolado. Quanto mais específico do seu domínio, mais integrado com legado, mais regra de negócio peculiar — menos ganho marginal ela dá.
Justamente o que você mais pede pra fazer rápido, porque “é só mais uma tela”.
Não é só mais uma tela.
Eu uso IA todo dia. Defendo IA. Vivo de IA. E por isso mesmo tenho autoridade pra dizer: a ferramenta é incrível, mas ela não substitui engenharia. Ela amplifica quem faz engenharia bem. E amplifica também quem faz mal — só que nesse caso o estrago chega mais rápido.
Se você quer de verdade extrair valor da IA no seu time, o caminho não é apertar prazo. É dar espaço pra o time usar bem. Revisar. Refatorar. Construir base sólida que vai sustentar a próxima feature gerada.
Senão você não vai ter 10x de produtividade.
Vai ter 10x de retrabalho.
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